O curioso

Seita dos Castrados na Rússia Tzarista

 
Nicolai Volkov é um etnólogo russo. Nos anos 30, cavou o passado de seu país em busca de um curioso episódio: existiu, na Rússia Tzarista pré-revolucionária, uma “seita de castrados”. Condenados à extinção pelo poder socialista, a seita reuniu, durante anos, pessoas que submeteram à castração.
 
Um livro recém-lançado na França (Le secte Russe des Castrats) relata a História. Homens entregavam-se à extirpação dos testículos e do pênis. Mulheres à amputação dos seios, algumas vezes dos grandes lábios, outras do clitóris.
 
Entre os castrados gozavam de grande prestígio algumas obras de Tolstói. Entre elas o conto Padre Sérgio. O texto narra a trágica vida de um jovem príncipe que, tomado por obsessões carnais, e delas tentando libertar-se, transforma-se em monge. Acaba, porém, seduzido por uma jovem. Atormentado pela tentação, escolhe, para salvar-se, um recurso extremo: amputa, de um golpe, o dedo indicador. A mulher, assustada, parte – e com ela afasta-se a vertigem do desejo.
 
(Marcos Augusto Gonçalves –Sexo Falando – Folha de S.Paulo, outubro de 1995)
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Belle Époque

Neste período há ampliações das oportunidades e satisfação de desejos no cenário europeu, onde nota-se o enorme desenvolvimento em todos os aspectos desse cenário. Concomitante a isso eclode a psicanálise, a sociologia, variados tipos de credos (entre eles o espiritismo), além da figura da mulher ganhar espaço na cena política.

Entretanto com o “ar de euforia, impulsionado pelo estímulo ao consumo e às satisfações garantidas pelo próprio avanço da tecnologia, tornava-se mais evidente a apreensão de um mal-estar da civilização”. Logo, a Belle Époque também representou o “surgimento de novas sensações e estilos artísticos, interligados a esse pessimismo geral, quase que um anunciador do grande horror que a sociedade europeia viria a vivenciar, a Primeira Guerra.”

Uma figura extremamente conhecida que ilustra toda essa agitação é o Titanic, até então o maior navio de passageiros do mundo, tido como “inafundável”, que no entanto, assim como a nação europeia, entraria em colapso. Através do infográfico disponibilizado abaixo é possível conferir as semelhanças, a exemplo da divisão de classes.

Socialismo no fim do século XIX

“(…) O avanço do capitalismo na Europa e pelo mundo fez dos trabalhadores uma força política significativa, incapaz de ser ignorada. Em relação a esse período, de acordo com Decca, aparecem duas questões fundamentais associadas ao socialismo: 1ª) corresponde à disputa entre os partidários da revolução e os do reformismo: essa falta de consenso provocou uma acirrada disputa política entre os partidários do marxismo; 2ª) refere-se à difusão do socialismo no mundo, e os reflexos disso diante do imperialismo: a proporção da geografia imperialista (sem fronteiras) implicou na vulgarização da doutrina marxista, na medida em que o seu entendimento passou a ser determinado a partir de uma lógica teórica simplista.”

Citação adaptada referindo-se às vertentes socialistas citadas no texto O colonismo como a glória do Império.

O turismo como “venda de sonhos”

O modo de vida do “novo homem” implica na quebra de limites e fronteiras, gerando o turismo, acompanhado dos estímulos que agiam sobre o consumo. Faz-se presente então, a construção de monumentos importantíssimos e conhecidos no mundo todo, dois deles são a Torre Eiffel (à esquerda) e o Palácio de Cristal de Londres (à direita).
Esse mesmo homem se tornou passível de ser estudado, através de um novo campo do conhecimento: a psicologia.
O trecho, de Decca, a seguir sintetiza e relaciona os parágrafos anteriores: “O mundo parecia não ter fronteiras e o homem moderno urbano europeu, que sonhava aventuras arrebatadoras, acreditava que a expansão não tinha limites. Esse homem (…), tinha no romance de aventuras a possibilidade de sonhar com uma vida diferente da sua, limitada pelas necessidades e pela repetição monótona do cotidiano das grandes cidades.”

Expansão Territorial Europeia

Expansão Territorial Europeia

O mapa acima ilustra a dominação das regiões da África e algumas da Ásia no término do século XIX. Uma característica importante é que a expansão europeia se deu nesses continentes já que havia a Doutrina Monroe (América para os americanos), defendendo este território para os Estados Unidos.
Tal busca por terras concentrou-se basicamente na necessidade dos países europeus alcançarem mercados consumidores que suprissem a ânsia de exportação devida à crescente produção industrial e procura por matérias-primas.
Acima percebe-se que a Inglaterra e a França foram os países que se destacaram no processo. Mas de acordo com o texto “O colonialismo como a glória do Império” de Edgar de Decca, utilizar o termo “imperialismo” não seria adequado, uma vez que essa expressão implica extensão de leis e instituições dos países colonizadores às regiões exploradas, dotando de igual direito os cidadãos metropolitanos e os nativos— o que de fato não ocorreu.